| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
![]()
Legião nas graças do público
Era grande a expectativa em torno da apresentação do Legião Urbana no Maracanãzinho, abrindo o "Alternativa nativa" na quinta-feira. Alguns ainda estavam impressionados com os incidentes de Brasília, e tinham certo receio de que alguma baixaria rolasse por aqui. Mas ainda bem que ela nem chegou perto. O que houve foi uma apresentação daquelas, emocionante, como só a Legião sabe fazer. Praticamente um bis da única que fizeram no mesmo local em janeiro passado. Mas esta foi menos tensa e teve mais sabor de vitória. A banda abriu com "Que país é este?", como faz há duas temporadas, e de imediato fez a inflamada galera presente explodir em energia e alegria. El Russo foi econômico em discursos (que nos últimos shows eram muitos) e seus companheiros de aventura (Dado na guitarra, Bonfá na bateria e Renato Rocha no baixo) levaram o som do modo que sabem. Econômico e forte. Sabem que a música deles fala mais alto. E é isso justamente que o público quer. Todo mundo vai a um show da Legião para cantar, sentir cada palavra das ricas letras que Russo cria. Como numa missa. Todos comungam em harmonia com a banda. E Renato, mais do que os outros integrantes, sabe o que é isso. Afinal, ele é o centro das atenções, embora ao final de cada música a platéia grite sempre "Legião, Legião!", ciente de que na banda ninguém é líder. Mas é Renato quem fica lá na frente regendo as emoções. Controlando a catarse. Ele não deu bola para quem o chama de "líder messiânico" e resolveu brincar com seu poder sobre a platéia. Começou convidando o público - cerca de 20 mil pessoas - a deixar o País. Recebeu um "não" como reposta, mas não se abalou. Ganhou adesão incondicional do público quando pediu: "Vamos jogar Brasília no lixo!" Os alvos seguintes foram o aumento das mensalidades escolares e inflação de 23 por cento prevista para este mês. A platéia era só cumplicidade e Renato percebeu o momento ideal para "fazer uma brincadeira", como definiu depois o show. Primeiro, pediu que a platéia o acompanhasse fazendo "he, ho". Diante da resposta imediata, ele disparou: - Vocês ficam fazendo tudo o que mandam, é? Que coisa mais ridícula, fazer "he, ho". Sigam sua própria consciência. Não aceitem lixo de ninguém. Nem de mim! Depois do susto inicial, a platéia ofereceu ao ídolo uma ovação. Ele sorriu, sabia o que estava fazendo. É bem verdade que certas posições extremadas de Renato acabam gerando respostas igualmente exageradas. Como as faixas que apareceram no ginásio, lembrando que "Aqui não é Brasília" e pedindo que "Esqueçam Brasília". Como se não bastasse a má vontade que boa parte dos brasileiros tem para com o Distrito Federal a cidade corre agora o risco de ficar estigmatizada como a "capital da violência". Mas isto não parece incomodar o vocalista: |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||